Cresce exportação de cachaça brasileira

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A cachaça é a bebida destilada mais consumida no Brasil. A caipirinha, por sua vez, o drinque brasileiro mais conhecido no mundo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Cachaça (Ibrac), as exportações de destilado cresceram 4,62% em valor e 7,87% em volume, em 2016, com relação a 2015. No ano passado, o Brasil exportou 8,38 milhões de litros para cerca de 54 países, gerando receita de US$ 13,94 milhões.

Na região geoeconômica do Distrito Federal, a Cachaça DoMinistro, do produtor de Brasília Carlos Átila Alvares da Silva, é exemplo de sucesso. Enquanto realiza ações para aumentar as vendas do produto no Brasil, o diplomata e ex-ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) planeja expandir para atingir o mercado externo.

 A Cachaça DoMinistro é produzida em uma fazenda com o mesmo nome, localizada nas imediações de Alexânia, município que fica às margens da BR-060, rodovia que liga Brasília a Goiânia. O alambique tem capacidade para produzir 1 mil litros de cachaça por dia. Atualmente, a produção diária é de 230 litros, com teor alcoólico de 40%. No local, são feitos oito tipos de cachaça: Extra Premium 5 Anos Amburana, Extra Premium 5 Anos, Extra Premium 3 Anos, Premium, Ouro, Prata e Amburana, além da tradicional branca, a única que não é armazenada ou envelhecida em tonéis de madeira.

 

DESAFIOS Os principais desafios do setor são o aumento das exportações, a consolidação do produto no mercado internacional e o reconhecimento no mercado externo da cachaça como um destilado genuinamente brasileiro, de acordo com o Ibrac. “O anúncio da entrada da cachaça no Simples Nacional em 2018 reduzirá a carga tributária, o que deverá impactar os custos das empresas e, com isso, possibilitará a realização de investimentos, principalmente, em qualidade, por parte dos produtores”, analisou o diretor-executivo do Ibrac, Carlos Lima.

As exportações de Cachaça estão bem abaixo do potencial de mercado. Cerca de 1% do volume produzido é exportado, segundo o Ibrac. É um dado importante, principalmente quando se compara as exportações da tequila, o destilado nacional do México, com as exportações do produto brasileiro. No ano passado, o México exportou cerca de 200 milhões de litros da bebida para mais de 120 países, aproximadamente 70% de volume produzido. Já o Brasil exportou pouco mais de 8 milhões de litros de cachaça para 54 países.

De acordo com o Ibrac, enquanto a cachaça é protegida apenas nos Estados Unidos, Colômbia e México, a tequila já é protegida em 46 países, além da União Europeia. O reconhecimento pelos Estados Unidos de que a cachaça é um produto genuíno do Brasil só ocorreu em 2013, acabando, assim, naquele país, com um tratamento generalizado em relação ao destilado nacional. Até então, a cachaça era rotulada como Brazilian Rum.

A cachaça foi regulamentada pela Indicação Geográfica como produto genuinamente brasileiro, no ano passado. Pelas normas aprovadas, a bebida precisa ter a graduação de álcool entre 38% e 48%, e somente a aguardente de cana produzida no Brasil pode ser chamada de cachaça.

Data para festejar

Cana, caninha, pinga, birita, aguardente de cana, água benta, branquinha, bagaceira, purinha, abrideira, goró, água que passarinho não bebe, malvada, purinha, engasga gato. São diversas as denominações pelas quais a cachaça é conhecida no Brasil. O apelido carinhoso reforça a ligação do brasileiro com a bebida. O destilado ganhou até uma data especial, 13 de setembro, o Dia Nacional da Cachaça.

A data escolhida pelo Instituto Brasileiro de Cachaça (Ibrac) lembra o dia em que a coroa portuguesa liberou a produção e comercialização da cachaça no Brasil, em 1861, após a Revolta da Cachaça, rebelião dos produtores locais. O projeto de lei para que a data seja oficializada ainda tramita na Câmara dos Deputados. Mesmo assim, produtores e representantes da cadeia produtiva da cachaça já comemoram a data, inclusive com estratégias de promoção para expandir suas marcas.

O produto também já tem até museus pelo país: em Tracunhaém, Pernambuco, que abriga cerca de 12,4 mil rótulos; em Salinas, Minas Gerais, com 2,2 mil garrafas de 60 marcas produzidas; e em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, também em Minas Gerais, que tem um acervo com mais de 1,5 mil garrafas de diversos produtores e muitas históricas.

Via Estado de Minas

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