Governo brasileiro aguarda fim da restrição americana à exportação de aço

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Foto: Pixabay

Uma nota conjunta emitida pelos ministros da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, Marcos Jorge, e das Relações Exteriores, Aloysio Nunes Ferreira, e divulgada nesta quarta, dia 2 de maio, em Brasília, afirma que o governo brasileiro mantém a expectativa de que os Estados Unidos não farão restrições às importações de aço e alumínio do Brasil.

“O governo brasileiro mantém a expectativa de que os EUA não prossigam com a aplicação de restrições, preservando os fluxos atuais do comércio bilateral nos setores de aço e alumínio. Em todo caso, seguirá disposto a adotar, nos âmbitos bilateral e multilateral, todas as ações necessárias para preservar seus direitos e interesses”, diz a nota enviada à imprensa.

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No dia 30 de abril, a Casa Branca anunciou que eximiu Brasil, Argentina e Austrália das tarifas sobre o aço e o alumínio, mas a negociação incluiu a criação de cotas para restringir as importações. Na opinião do governo americano, a realização de pacto com esses três países é um “princípio de acordo” cujos detalhes serão divulgados em breve. “Em todas estas negociações, o governo se centra em cotas que restrinjam as importações, evitem o transbordamento e protejam a segurança nacional”, ressalta a Casa Branca, segundo a agência espanhola de notícias EFE.

O governo americano também decidiu adiar a taxação aos países da União Europeia, ao México e ao Canadá. A decisão foi tomada às vésperas do fim do prazo para negociações, que seria 1º de maio.

Segundo a nota dos ministros brasileiros, o governo informou, nas negociações com os Estados Unidos, que “os produtos do Brasil não causam ameaça à segurança nacional” daquele país. “Ao contrário, as indústrias de ambos os países são integradas e se complementam. Cerca de 80% das exportações brasileiras de aço são de produtos semiacabados, utilizados como insumo pela indústria siderúrgica americana”, afirmam Marcos Jorge e Aloysio Nunes Ferreira.

No caso do alumínio, diz a nota, as exportações brasileiras são muito reduzidas. “E foi salientado que, nos últimos anos, os EUA vêm obtendo superávit no comércio de alumínio com o Brasil. Além disso, recordou-se que as indústrias nos dois países são complementares, uma vez que o Brasil fornece matéria-prima para os EUA nesse setor”, destacam os ministérios.

“Em termos gerais, argumentou-se que eventuais medidas restringiriam as condições de acesso ao mercado dos Estados Unidos e causariam prejuízos às exportações brasileiras de alumínio e aço, com impacto negativo nos fluxos bilaterais de comércio, amplamente favoráveis aos Estados Unidos em cerca de US$ 250 bilhões nos últimos 10 anos”.

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Os ministros lembram ainda que, no dia 26 de abril, as autoridades americanas decidiram interromper o processo negociador e de aplicar, imediatamente em relação ao Brasil, as sobretaxas que estavam temporariamente suspensas ou, de forma alternativa e sem possibilidade de negociação adicional, quotas restritivas unilaterais.

“Diante da decisão anunciada pelos EUA, os representantes do setor de alumínio indicaram que a alternativa menos prejudicial a seus interesses seria suportar as sobretaxas de 10% inicialmente previstas. Já os representantes do setor do aço indicaram que a imposição de quotas seria menos restritiva em relação à tarifa de 25%”, explicam Marcos Jorge e Aloysio Nunes Ferreira.

Segundo eles, “quaisquer medidas restritivas que venham a ser adotadas serão de responsabilidade exclusiva do governo” dos Estados Unidos. “Não houve ou haverá participação do governo ou do setor produtivo brasileiro no desenho e implementação de eventuais restrições às exportações brasileiras”, salienta a nota.

(com Agência Brasil e Agência EFE)

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